O Caminho da Dor
(Por: Rafael Martins)
“A verdadeira liberdade é um ato puramente interior, como a verdadeira solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até num cárcere, e a estar sozinhos até no meio da multidão. “
Massimo Bontempelli
Esta seria somente mais uma noite, na vida de mais um José, após mais um dia perdido no trabalho, no qual eu chegaria em minha casa e seria calorosamente recebido pela minha esposa com um belo envelope de contas, e uma ótima expressão de infelicidade em me ver; meus filhos provavelmente estariam entretidos no vídeo-game e não demonstrariam nenhum tipo de emoção ao perceber que o pai acabara de chegar.
Sim, eu estaria somente cansado, apenas com o mesmo desânimo que desde minha adolescência tem sido meu companheiro inseparável, neste momento então eu simplesmente me sentaria em frente a TV, e pelos próximos minutos veria como nós seres humanos somos desprezíveis assistindo a um jornal qualquer, e eu como ser humano que sou me levantaria em alguns minutos e ignoraria tudo o que assistirá.
No chuveiro eu me lavaria, esperando que a água pudesse limpar minha mente e meu corpo, e como sempre me sentiria aliviado ao pensar que tudo estaria indo para o ralo e neste momento quando eu saísse do banheiro tudo estaria diferente, no entanto, logo ao sair do banho a primeira coisa que faria seria acender meu cigarro, e me preparar para o sono, assim como para mais um dia previsível de minha ordinária vida.
No entanto, o que vejo?
Vários bombeiros arriscando suas vidas para tentar conter o fogo que reina soberano em tudo o que tenho, e o que sinto? Uma imensa vontade de fumar. Caminho em direção ao fogo, ou melhor, a minha casa, sento-me ao lado da porta da frente e então acendo meu cigarro naquele enorme isqueiro...
Não sei bem o que passa por minha mente neste momento, porém nunca havia fumado um cigarro tão bom quanto este, lágrimas escorrem por meu rosto, não param de rolar, mas por que?
O tempo passa, o fogo se vai e a mim só resta o frio. Aqui estou eu em frente as ruínas de minha vida, sinto muito sono, porém onde vou dormir, ou melhor como?
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-Você deseja a Escuridão! A escuridão deseja você!
Que voz é está, aqui dentro de minha casa toda queimada, devo estar delirando, maldito uísque!
- Você sempre desejou isto!
Merda; definitivamente bebi demais...
-Você acha que são drogas que estão gerando minha voz, que sou apenas fruto do alcoolismo barato de um homem desesperado, apenas um devaneio de sua mente INSANAAAA........
- Olhe para cá e veja, para que sua fraca mente possa crer nessa voz...
Um homem, meia idade, cabelos negros curtos, barba longa, velhos trapos no corpo, caolho com um charuto na boca, assustador, sentado sobre meu velho baú, que estranhamente não está queimado...
Seu olhar é assustador, tem a voz de um velho, o sorriso em seu rosto, contrasta terrivelmente com ele, isso é o que mais me amedronta. Ele parece saber cada palavra que penso, conhecer cada canto mais escuro de minha personalidade, ele me olha como se soubesse até mesmo o que farei no próximo instante...
-Você não sabe quem sou eu José...vou tentar lhe explicar do melhor modo possível...
-AHHHHHHHHHHHHHH- Grita em desespero José.
-Maldito!!!Pare com isso!!!
-Porque, você precisa abrir sua mente para entender o que aconteceu...E como fazer isso, qual estrada mais rápida para a insanidade, para a iluminação...- Dizia aquele estranho homem enquanto socava a cabeça do pobre José contra os restos de um breco.
- Primeiro, você deve renunciar a tudo, não deve ter nada que possa atrapalha-lo em seu caminho...
- Segundo, você precisa sentir dor muita dor...pois somente a dor liberta, somente o mais básico de todos os nossos sentimentos pode mostrar-lhe o caminho.
- Entenda, nós baseamos nossa vida inteira em uma fuga deste sentimento, quando nos casamos buscamos não sentir a dor da solidão, quando compramos uma casa queremos nada mais que evitar a dor do frio...
- Logo se torna claro, acho que neste momento até mesmo você já deve estar começando a ter um vislumbre do que estou querendo lhe mostrar.
– Dizia aquele estranho homem enquanto socava a cabeça de José contra o fogão.
Algo realmente tinha sentido naquelas palavras, algo que eu senti no fundo de minha mente durante toda a minha vida agora gritava...
-Sim eu estou gritando ...e diga –me o que eu estou gritando???
Liberdade, sim eu sinto, vivo em cada parte de meu corpo liberdade!!!
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“Um sintoma de liberdade é o som de uma gargalhada.”
Esta seria somente mais uma noite, na vida de mais um José, no qual eu chegaria em minha casa e seria calorosamente recebido pela minha esposa com um belo envelope de contas, e uma ótima expressão de infelicidade em me ver; meus filhos provavelmente estariam entretidos no vídeo-game e não demonstrariam nenhum tipo de emoção ao perceber que o pai acabara de chegar.
No entanto, aqui estou eu em um carro a 180 km por hora indo em direção a um posto de gasolina, sim... fogo...eu adoro o fogo ele é libertador...me faz lembrar do dia em que fui transformado no que sou hoje e isso me deixa muito feliz!
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HAHAHAHHAHAHHAHAHAHHAH

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